Tenho lido pouca coisa nos últimos dias. Talvez nas últimas semanas, até. Tem me incomodado um tanto mas ao mesmo tempo acho gostosa a sensação do respiro entre as páginas. Abomino de leve essa tendência moderna de metrificar cada parte da vida: quantos livros leu no mês, quantos macro/micro nutrientes consumiu, quantos ~projetos~ deu conta de finalizar e por aí vai. Eu mal ando dando conta de mim mesma e da minha cabeça pra ser sincera mas, dito isso, o pouco que tenho lido nos últimos tempos tem me feito feliz.
Semanas atrás li Léxico Familiar da Natalia Ginzburg, pesquei a indicação de uma newsletter e guardei comigo até achar um exemplar do livro em um sebo. Encontro na hora certa. Foi uma leitura muito gostosa, me diverti e me apeguei um pouco a cada personagem da família. Foi uma mudança e tanto da leitura anterior, A Cidade e as Estrelas do Arthur C. Clarke. Navegar entre gêneros tão diferentes pede uma aclimatação no começo da leitura, é sempre meio desconfortável mesmo. Também li recentemente Homens ao Sol do Ghassan Kanafani, essa indicação veio do Bei, livreiro da Livraria Simples. O livro estava esgotado e voltou recentemente. N’A Feira do Livro dei de cara com o livro num stand e a Bia, que visitou a feira comigo, me presenteou de aniversário. Conta a história da travessia de três homens palestinos refugiados pelo deserto da fronteira do Iraque para chegar ao Kuwait na tentativa de mudar de vida. Uma pedrada de livro.
Atualmente estou lendo Mrs Dalloway da Virginia Woolf. Autora que, por incrível que pareça (pra mim!), nunca tinha lido. Acredito que os livros e autores chegam na gente na hora em que devem chegar então estou feliz com esse encontro. Sobre o livro digo que estou gostando bastante, estou pouco além da metade e encantada com as mudanças de perspectiva de cada personagem no decorrer do mesmo dia, na mesma cidade.
Na minha lista de leitura também estão Orbital, Cadelas de Aluguel e O Conto da Ilha Desconhecida (que ganhei de aniversário da Mari <3) mas tenho certeza que vou passar o novo (e primeiro) romance do Ricardo Terto, A Fortaleza dos Homens-Borracha, na frente.
No meio tempo também ando lendo poesia, gênero que tomei coragem de molhar os pés apenas recentemente. Como vou para a FLIP esse ano, estou lendo Transposição da Orides Fontela, homenageada de 2026. Leio poesia como se fosse uma espécie de oráculo: abro em algumas páginas aleatórias, leio, releio, faço a digestão daquilo durante o resto do dia.
Ia terminar falando que espero voltar a um ritmo de leitura mais consistente em breve, mas sei que não preciso esperar nada porque não consigo ficar muito tempo longe.